marcusve/ dezembro 27, 2018/ O que é a Bíblia/ 0 comments

O que é a bíblia? (por Rob Bell)* – Parte 29

Mãe Maria e Rage Contra a Máquina: uma edição linitada especial de Natal

clique aqui para começar com a parte 1

 

Vamos fazer isto.

-Maria [Lucas 1v38 ]

Tem que começar em algum lugar,

tem que começar em algum momento.

Que lugar melhor do que aqui?

Que melhor momento do que agora?

– Rage Contra a Máquina

Então temos essa garota judia, com provavelmente 13 ou 14 anos, e de acordo com o evangelho de Lucas um anjo de Deus aparece e diz a ela que ela encontrou graça diante de Deus e que ela vai engravidar e seu filho será o

Filho do Altíssimo

e ele terá

o trono de seu pai Davi

e seu

reino não terá fim.

Porém Maria tem algumas perguntas muito básicas sobre tudo ao longo dessas linhas como

mas eu ainda não tive relações sexuais

para o que anjo responde

o Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te encobrirá

porque que isso esclarece. ( Me encobrirá? Essa é a sua resposta?)

Essa menina Maria ouve tudo isso e toma isso consigo e lhe faz perguntas e então responde

Eu sou a serva do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a Sua palavra.

Ou, como diríamos

Vamos fazer isso.

Primeiro, então, um pouco sobre esta menina e a tribo de onde ela veio …

Maria era parte de uma tribo que acreditava ter sido escolhida pelo Único Verdadeiro Deus para mostrar ao mundo esse Único Verdadeiro Deus. Isso era incomum, porque as outras tribos tinham muitos deuses. Dezenas de deuses. Um antigo escritor disse que era mais fácil encontrar um deus do que um homem na cidade de Atenas. Deuses em toda parte. Mas essa tribo, essa tribo acreditava que havia um Deus acima de todos os outros, um Deus tão grande, tão além, tão OUTRO, que estavam proibidos de sequer fazer estátuas desse Deus.

Esta era uma ideia nova.

E muito estranha na época.

Será que você não quer um monte de deuses?

Mas essa tribo se agarrou firmemente à convicção de que o seu Deus era puro Espírito, incapaz de ser representado, mesmo remotamente, por qualquer imagem que um ser humano pudesse criar. Em uma reviravolta fascinante, eles acreditavam que ao invés de pessoas criando deuses à sua imagem, esse Deus criou as pessoas à Sua própria imagem.

Esmagadoramente impressionante essa ideia.

Que parece muito boa, mas essa tribo em particular tinha sido conquistada de novo e de novo e de novo. Egípcios, babilônios, selêucidas, assírios e uma superpotência após outra tinha a sua vez de dominar essa tribo, invadindo suas terras, taxando-os até à morte, muitas vezes levando-os como escravos às nações estrangeiras. Tornando suas vidas miseráveis. Ano após ano, geração após geração, cada vez que um conquistador desmoronava outro tomaria seu lugar.

Tudo isso levantou uma questão profunda na psique da tribo de Maria: Se o nosso Deus é O Deus, o que está acima de todos os outros deuses, e a nossa terra é a nossa terra de Deus, e nós somos o povo de Deus, então como é que vamos continuar recebendo porrada?

A história repetiu-se, um opressor, o império dominante e o seu exército seguido por outro, o tempo todo até os dia de Maria, quando eram os romanos os invasores, zombando do Deus da tribo de Maria, construindo seu quartel alguns metros mais alto que o templo de Deus, apenas para provocá-los. Os romanos foram governados por uma série de imperadores chamados Césares, que acreditavam serem

filhos de Deus enviados do céu para trazer um reino universal de paz e prosperidade.

Eles tinham um slogan popular

não há nenhum outro nome debaixo do céu pelo qual as pessoas podem ser salvas senão o de César

e exigiam que todos, em toda parte reconhecem que

César é o Senhor.

E assim, eles marcharam por todo o mundo conhecido, conquistando terras, exigindo que as pessoas reconhecem que César é o Senhor, cobrando impostos das pessoas que eles esmagavam e que eles usaram para construir um exército maior para conquistar mais pessoas para tributá-las para financiar um exército ainda maior…

Os romanos chegavam em sua cidade, exigiam que você reconhecesse que César é o Senhor – se você o fizesse, você passaria a fazer parte do império, se você não o fizesse, eles tinham um dispositivo que aperfeiçoaram chamado de estaca de execução onde eles o pendurariam a fim de dar um exemplo do que acontece quando você resiste a César.

É assim que eles traziam a paz.

Submissão. Ou resistência e ser executado em uma cruz.

Este era o mundo onde Maria vivia. César no trono. O poderoso e opressivo no comando. O poderoso no controle. O dominante forte.

Você pode imaginar a vergonha? Porque era com isso que as pessoas do tempo de Maria viviam: vergonha. Cansados de serem pisados, cansados de serem chutados, cansados de adorar um Deus que permite que as pessoas que nem sequer o reconhecem vençam. De novo e de novo e de novo.

Assim, quando o anjo lhe dá essa notícia sobre um bebê que irá governar um reino, ela responde com um poema épico chamado de Magnificat onde ela diz que está muito feliz que Deus

foi consciente do estado humilde de sua serva

e que a misericórdia de Deus

estende-se a todos os que o temem.

Ela diz que Deus tem

derrubado os governantes dos seus tronos

(Ele tem, mesmo? Porque os romanos ainda estão aqui, e muito mais poderosos do que nunca … )

e

levantou os humildes

e ela passa a afirmar que

Deus encheu os famintos com coisas boas

mas enviou os ricos de mãos vazias

Deus ajudou seu servo Israel ,

lembrando-se de ser misericordioso

a Abraão e à sua descendência para sempre,

assim como ele prometeu a nossos ancestrais …

Para o público de Lucas, o contraste teria sido impressionante. Quem é essa filha de Abraão com a alegação de que seu bebê vai destronar César?

Maria. César.

Uma adolescente. O governante do mundo.

Maria comemorando que César está caindo.

Você pode ver as sementes revolucionárias da história de Jesus?

É política, subversiva, insistente, desafiadora e Jesus ainda não nasceu…

Esta é uma história sobre os oprimidos, aqueles com as botinas do império no pescoço, aqueles que no final recebiam uma injustiça após outra.

Lucas está contando uma história de uma outra maneira do que a maneira de César, oferecendo ao seu mundo a notícia revolucionária de um novo Senhor, aquele que não muda o mundo por meio da violência militar coercitiva mas através do amor sacrificial.

Qual é o melhor caminho?

Poder opressivo ou amor como servo?

Quem é o Senhor – César ou Jesus?

Esta é a pergunta que Lucas está fazendo ao seu mundo através de sua história, e ele começa com essa garota sendo elevada por seja lá o que Deus tem em mente.

É por isso que a história de Jesus se desenvolve no subsolo, no beco, na reunião de recuperação, no bairro, nas comunidades de vilas, longe dos centros, nas periferias. E é por isso que a história de Jesus muitas vezes perde o seu poder e eletricidade, quando chega às massas, quando ele fica na cama (ou melhor seria dizer quando ele não se envolve) com as estruturas e sistemas de poder. (Se você foi criado no oeste nos últimos 30 anos, você sabe exatamente o que eu estou falando – igrejas clandestinas se desenvolveram em países governados por regimes opressivos, enquanto as coisas muitas vezes ocas, anêmicas e, inevitavelmente irrelevantes, em nações “cristãs”).

Esta é uma história sobre uma menina judia em particular e seu bebê em seu ventre, e é também uma história sobre a injustiça em todo lugar.

É sobre o lembrete atemporal de que o poder coercitivo é tênue na melhor hipótese, os impérios são frágeis, e os políticos, magnatas, Trumps e líderes todos vêm e vão, porque no final eles estão todos nos arranjos temporários.

Deus, Maria se alegra, está do lado dos pobres, dos famintos, dos humildes, e aqueles que necessitam de misericórdia. Ela se alegra porque ela acredita que Deus não se esqueceu de seu povo, mas está trabalhando, nela, para trazer um novo mundo.

Deus não se esqueceu, César vai passar, o grito dos oprimidos foi ouvido, um bebê está prestes a nascer.

Tudo isso, a partir de uma adolescente cuja primeira resposta é

Vamos fazer isso.

Feliz Natal meus amigos. Eu vou continuar no Ano Novo, porque, naturalmente, nós estamos apenas começando …

A seguir: O Gênio dos cães e porcos

* Série de reflexões sobre a Bíblia, escrita e publicada originalmente em inglês, no tumblr, pelo próprio autor Rob Bell e sua equipe.

Transcrito e adaptado para portugues por Marcus Vinicius Epprecht com autorização do autor. Proibida a reprodução para fins comerciais ou qualquer forma de ganho sobre este texto sem a autorização expressa do autor e do tradutor. Os posts originais em inglês foram desativados pelo autor em função do lançamento desse conteúdo em livro, por enquanto somente em inglês. Revisado por Fernanda Votta Epprecht.

**nt: Este post foi publicado originalmente no dia 23/12/2013.

 

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Marcus e Mel

MVE Produções

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