Just Spiritus – Espírito – Respiração – Vida

Just Spiritus

Spiritus, do latin, respiração, alma, coragem, vigor.

Num conceito ampliado, aquilo que contrasta com o corpo, com a carne.

Ampliando ainda mais, consciência e até mesmo personalidade.

No grego, pneuma, respiração, ar em movimento, espírito, e psykhê, alma.

Nas línguas semíticas, o que tem a ver com fenômenos do ar, respiração, sopro, e até mesmo odor.

Citando Jung(1):

"A conexão entre espírito e vida é um daqueles problemas que envolvem fatores de tal complexidade que temos de estar atentos para não sermos apanhados na rede de palavras que buscam enredar estes grandes enigmas. Como saber se podemos trazer para a órbita do nosso pensamento essas complexidades ilimitadas de vida que chamamos de "Espírito" ou "Vida", sem vesti-los em conceitos verbais, eles próprios meros contadores do intelecto? A desconfiança dos conceitos verbais, inconvenientes como o são, me parecem, no entanto, estar muito mais no lugar de falar dos fundamentos. "Espírito" e "Vida" são palavras bastante familiares para nós, velhas conhecidas na verdade, peões que por milhares de anos foram empurrados para trás e para a frente no tabuleiro de xadrez do pensador. O problema deve ter começado na madrugada cinzenta do tempo, quando alguém fez a descoberta desconcertante que o fôlego da vida que deixa o corpo do homem, morrendo no último estertor, significou mais do que apenas o ar em movimento. Dificilmente é um acidente que palavras onomatopaicas como ruach, ruch, roho (hebraico, árabe, suaíli) signifiquem "espírito" não menos claramente do que o πνεύμα grego (transliterada pneuma) e do latim spiritus".

JustSpiritus, um site/blog que quer conversar, refletir, elaborar, apenas sobre esse tema.

Reflexões, artigos, dicas, produtos e serviços que estejam intimamente ligados a essa questão do “ar em movimento”, da “respiração”, da “vida”, mas não sob aspectos primários como corpo, alimentação, beleza exterior, etc...

Achamos maravilhosa, extremamente maravilhosa, a abordagem dada por Rob Bell em seu vídeo de n.o 14 da série Nooma: “Breathe” (você pode assistí-lo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=-EFLRDNAx-Y em inglês, ou aqui: https://www.youtube.com/watch?v=4DpvqWSZPsk  , legendado(não ligue para comentários e links!!!.....foque somente nas palavras do Rob Bell...)).

Nela Rob Bell argumenta um pouco sobre a chamada “Teologia da Respiração”. Não gostamos do termo teologia porque pressupõe que podemos “estudar Deus”, o que particularmente entendemos como um contrasenso de largada. Em outra oportunidade vamos falar especificamente sobre isso.

Voltando ao Rob Bell e a repiração, o argumento é que todo mundo, ou todas as pessoas, ou todos os seres que respiram, pronunciam com esse ato incondicional da vida, o impronunciável nome de Deus, que os judeus mencionam e não pronunciam como se fosse pecado fazê-lo. Essa ideia surge a partir da narrativa da experiência de Moisés com a “sarça ardente”, uma planta que se incendiava e não se consumia e de onde partia uma voz que se identificou como “JRVR”, ou seja impronunciável.

Mas a grande sacada é que provavelmente o que Moisés ouvia era o som da respiração de Deus.

Agora imagina a cena!!! Você está fazendo aquele passeio diário, ou caminhada, ou momento de meditação, reflexão, ou sei lá o que, e topa com uma planta incendiada que não se consome. Mas você passa por ali todo dia e nunca reparou nisso? De fato aquilo é inusitado, e fica ainda mais quando da planta sai uma voz que te chama pelo teu nome. A maioria de nós já teria se borrado todo, não é mesmo? Mas você, acostumado à vida dura do deserto, olha pra planta e ainda tem a coragem de perguntar quem é que está falando. E o que você ouve como resposta é o som da respiração, que tem dois atos: inspirar e expirar.

Pare um pouco, feche os olhos e escute esse som.

Lentamente, inspire e expire.

E Moisés entendeu que esse era o nome de Deus, em nome de quem deveria voltar ao Egito para libertar o seu povo!

Baseado nas definições iniciais, respiração é vida.

Quem respira é porque está vivo.

Quem não respira, morre.

Quando a gente para de respirar, morre.

Os textos poéticos da criação, na Bíblia, afirmam que o homem foi feito do pó e o Criador soprou nesse vaso de barro, seu sopro de vida, seu espírito, vida, e o homem passou a existir.

Enquanto existe, respira o espírito de vida, o espírito de Deus. Quando este se retira do vaso de barro, esse vaso volta a ser pó.

Na conclusão deixada no ar por Rob Bell, assim como Moisés foi instigado, ordenado, compungido a retirar as sandálias de seus pés pois estava num terreno santo, todos nós devemos retirara as sandálias de nossos pés quando estamos diante de seres que respiram, que vivem, que respiram o espírito da vida, o espírito de Deus, um terreno igualmente santo.

Fantástico! Não achas?

Isso tem muitos desdobramentos e pretendemos abordar muitos deles em outras reflexões.

A pior delas, ou talvez a melhor, é como reagir (tirando as sandálias) aos seres que respiram e que nos fazem mal?

Outra, como é que o espírito da vida, de Deus, habita em seres que repudiamos, individual e coletivamente?

Bom, viu como o desdobramento é gigantesco?

Ficando com a parte bonita da história, se o som da respiração de todos os seres que respiram é o som do nome de Deus, e se cada ser respira de 8 a 14 mil vezes por dia, o nome de Deus é pronunciado de 56 a 98 trilhões de vezes por dia aproximadamente em toda terra. Isso é impressionante!!!

E mais impressionante ainda é que não é uma opção, ninguém pode decidir não respirar, senão morre! É incondicional! Ou você respira e pronuncia o nome de Deus ou morre!

Talvez o autor do último capítulo do livro de Salmos, na Bíblia, devesse ter terminado seu poema com a frase “Todo ser que respira louva ao Senhor” ao invez de “louve”. A frase original do salmista é uma convocação à adoração e ao louvor a Deus. Nossa “proposta” é uma constatação.

 

Um excelente viver pra você!

 

(1) Wikipedia, https://en.wikipedia.org/wiki/Spirit, (9) Hull, R. F. C. (1960). THE COLLECTED WORKS OF C. G. JUNG Vol 8 Chapter "Spirit and Life". New York, New York: Pantheon Books for Bollinger Series XX. pp. 319, 320.